Broca da cana

​A praga conhecida como broca da cana-de-açúcar é identificada pelo nome científico Diatraea saccharalis. Esta espécie de mariposa, cujas larvas causam a morte da gema apical e danos no interior do colmo, ocorre em todo o território nacional e em diversos países da América do Sul, Central e do Norte.

Cigarrinha das raízes

​A eliminação da queima e a presença de palha no ambiente modificaram, dentre outros aspectos, o perfil de pragas da cultura da cana-de-açúcar, destacando-se o caso da cigarrinha-das-raízes, Mahanarva fimbriolata, que encontrou nesse ambiente condições mais favoráveis de sobrevivência. As ninfas produzem uma espuma na base dos colmos, nas raízes superficiais, onde se alimentam e se mantém protegidas até atingirem a fase adulta. Surgem após as primeiras chuvas no fim do inverno, quando deverão se iniciados os levantamentos e em condições de altas densidades populacionais podem causar grandes perdas nos canaviais.

Bicudo da cana

​Sphenophorus levis, conhecido como bicudo da cana, é uma das mais importantes pragas da cana-de-açúcar. É um besouro que na fase larval escava galerias nos colmos da cana em desenvolvimento, afetando o stand e a produtividade da cultura. Além disso, o bicudo reduz a longevidade dos canaviais, os quais muitas vezes não passam do segundo corte. 

Broca dos rizomas

​​Migdolus fryanus é um besouro cuja fase larval causa danos ao sistema radicular da cana-de-açúcar, que passa a exibir sintomas de seca, iniciando com o secamento das folhas mais velhas. Com a evolução dos sintomas pode ocorrer o secamento de todas as folhas, morte da gema apical e até murcha dos colmos. Os danos podem se estender aos internódios basais dos colmos, prejudicando a brotação das soqueiras nos próximos cortes, o que contribui para o declínio acentuado na produtividade das áreas infestadas e obriga o produtor a renovar precocemente o seu canavial.

Broca gigante

​​Telchin licus é a mais importante praga endêmica que ataca a cana-de-açúcar no Nordeste do Brasil, onde está disseminada, ocupando uma área de, aproximadamente, 320 mil hectares, na qual foram observados níveis de infestação, avaliados em tocos danificados, da ordem de 7%, o que representa uma perda de cana-de-açúcar equivalente a R$ 34,5 milhões a cada safra. Causa danos abrindo galerias no colmo, deixando-o ocado, além de gerar falhas e sintoma de "coração morto" na brotação das soqueiras. Em situações de altas infestações, reduz a longevidade do canavial, exigindo a reforma antecipada das áreas.

Cupins

​​​Os cupins causam severos danos à cultura da cana-de-açúcar desde o plantio, quando ocorre a destruição das gemas e das reservas dos toletes semente; no desenvolvimento do canavial, quando se verifica a redução do sistema radicular, dano às bases de colmos e de perfilhos; na maturação, quando se observa a destruição dos tecidos internos dos colmos; até após a colheita, quando é possível observar falhas na brotação das soqueiras e redução nas reservas disponíveis para o ciclo seguinte. O conhecimento das espécies e de seus níveis de infestação, determinados por levantamentos populacionais, são fundamentais dentro de um programa de manejo para seu devido controle.

Formigas cortadeiras

​​​As formigas cortadeiras figuram entre as principais pragas da cana-de-açúcar, em função dos elevados prejuízos econômicos que causam, da sua vasta distribuição geográfica e dos custos envolvidos no seu controle. Com a ampliação da área de cultivo, nas últimas décadas, estes insetos assumiram maior importância em virtude das grandes extensões ocupadas pelas lavouras canavieiras e da utilização de áreas onde, anteriormente, não se adotavam métodos eficientes de controle, principalmente áreas ocupadas por pastagens degradadas e culturas de menor valor econômico.

Lagartas desfolhadoras

​​​Existem cinco espécies de lagartas que causam a desfolha em cana-de-açúcar. Alimentando-se das folhas da cana, deixando intactas apenas as nervuras centrais, as lagartas desfolhadoras costumam causar grandes danos. O sintoma impressiona os produtores e sugere serem necessárias medidas de controle, o que não é verdade, pois quando o problema é detectado, já está feito o dano e os insetos estão se transformando em adultos, que migrarão para outras áreas. A adoção de medidas equivocadas de controle podem comprometer o equilíbrio ecológico. 

Outras pragas

​​​Há dezenas de insetos que podem ser classificados como pragas secundárias ou que apresentam menor importância quando se menciona o potencial de causar prejuízos à cana, merecendo destaque, dentre estas, hyponeuma (broca peluda), pão-de-galinha, elaterídeos, crisomelídeos, percevejo castanho, pérola-da-terra e outros curculionídeos.  

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